15 outubro 2010

Pânico

Vida - E aí, vai ser infeliz ou causar uma dor temporária na sua filha?
Mãe - Se eu puder evitar dor nela, serei a pessoa infeliz mais estupidamente feliz do mundo.
Vida - Então, o problema é que sendo infeliz, ela vai ter uma mãe assim como modelo. E aí?
Mãe - Puta que pariu, você não facilita, né?
Vida - Não estou aqui pra facilitar. Estou aqui pra fazer você crescer enquanto passa por mim.
Mãe - Não quero passar por isso, não vou escolher.
Vida - Então você já fez a sua escolha. Quando a infelicidade te incomodar o suficiente, voltamos a conversar.
 
...


Mãe - VIDA, cacete. Eu desisto. Você venceu. Não aguento mais a minha filha olhar pra mim e ver uma mulher ridícula, que se anula e nem sorrir mais consegue.
Vida - Então se prepare, pois a dor dela é temporária, mas é real e dura. Você está preparada?
Mãe - Lógico que não. Pergunta idiota. ¬¬
Vida - Acontece. Mas pelo menos eu estou avisando...
Mãe - Tá, tá... 

...

Meu, que vida de merda é essa que te pede pra fazer escolhas tão cruéis?
 
Pânico de um dia olhar pra trás e ver que fiz escolhas erradas.
Embora elas me pareçam indiscutivelmente corretas agora.

Vai saber, né?

Pelo menos vou poder dizer que tomei as rédeas, que tomei decisões.
E principalmente, que elas foram tomadas com a melhor das intenções: a busca da plenitude. 
A busca infindável da melhor mulher em mim, pra ser a melhor mãe que eu puder.

Uma pessoa infeliz, incompleta, não pode nunca ser bom exemplo, boa compania pra ninguém. Por mais que tente.
Eu acredito nisso.
 
Por isso, por mim e pelos meus, eu VOU ser feliz.

Tome o tempo que tomar... 
Exiga o esforço que exigir...
Traga a revolução que trouxer...

Por mim, por ela.

05 outubro 2010

Auto-crítica

By Michele Menezes

Quando minha pqna Lemon Lady me mostrou esse desenho, me veio à cabeça: "Que linda tradução de como nossa auto-crítica se manifesta. Preciso escrever sobre isso..."

E aqui estamos! ^^

Por esses dias um grande amigo me disse "Ninguém, por mais que tente será mais cruel comigo do que eu mesmo". E ficamos um tempo falando sobre isso.

Acho que é assim com todo mundo, ou pelo menos com as pessoas que querem dar sempre o melhor de si pro mundo.

Sempre que critico uma atitude minha sou a mais dura possível e nem sempre isso me faz bem.

Aprender a dosar a auto-crítica é um desafio diário. 
Ficar na tênue linha entre aprender com os erros e me torturar por eles é super difícil, mas vale à pena tentar.
Vale porque sendo crítica, me cobro, me forço a ser sempre uma pessoa melhor. 
E aprendendo que não preciso ser tão dura assim em algumas situações, me aceito como humana, passível de falhas e tudo bem, a vida continua.

Eu gosto de estar com minha face mais cruel sempre pronta pra apontar meus erros, principalmente erros que cometo contra mim mesma.
Mas nunca deixo que ela dite as regras.
Ok. eu até deixo, mas logo reúno forças e retomo o controle. :P

Quero ensinar a importância disso pra Juju... dia a dia... ^^

Beijos! ^^







04 outubro 2010

Aceitando o inevitável.

E numa conversa de msn...

EU - pra vcs homens é um pouco pior
pq a mãe pelo menos SENTE o bebê
e vcs?
têm que se contentar em acreditar na mulher q diz 'ta tudo bem'
ELE - oO
EU n conseguiria confiar em ngm a esse ponto
=x
certeza
se eu dependesse de outra pessoa pra dizer "seu filho ta bem, n se preocupe" sem poder ver, tocar, sentir
eu ia surtar for sure
Oo'
pra deixar a ju na escola eu quase morri =~
nossa
não tinha pensado por esse ponto
ela ficava de boa e eu ligando desesperada pra coordenadora. ela comeu? ela dormiu? ta bebendo agua? ta se adaptando aos outros bebês?
ridiculo
=p
ehheheehheheeh
uahehuahuae
poisé
é, deve ser normal
pra mães de primeira viagem
sim é
todas as escolas e professoras dizem q as primeiras semanas são uma adaptação
pra mãe
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
=p
hum
elas sabem com quem tão mexendo u.u
yep >D
ahhhh velho
la em assis
segundo dia da juju na escola
ela me volta com uma mordida ROXA na buchecha
meu irmão
qdo eu cheguei pra pegar ela
eu me controlei MUITO
pra não dar uns tapas naquele moleque fdp
¬¬
e ela tava tão acuada
sem gostar da escola
q disse "ai" e ficou queta
nem chorou
eu fiquei pensando depois
oo'
ahhhh é normal isso
a MINHA bebê passaou a manha toda num canto, sem interagir, assustada, pensando "kd a minha mãe?" e eu não estava lá. puta que pariu
eu sei q é
o guri tava marcando território =x
mas dói demais po
=~
eu SEMPRE digo pra juju
qdo ela se assusta e corre pra mim
"a mamãe está aqui, eu nunca vou deixar vc. não se preocupe."
e ela relaxa
a sensação q tive foi "eu não estava lá"
=~
tipo
eu sei
que a vida é assim
^^
que massa isso
vc deve ser uma mãe legal
e a tendencia é q ela viva mais sozinha, se machuque, etc... mas velho
eu nunca vou deixar de querer estar do lado dela o tempo todo e impedir qq coisa q possa chegar nela pra fazer mal
=p
sou só mãe po
normal
^^

 .........


Essa conversa boba de 10 minutinhos me lembrou como é difícil pôr em prática uma coisa que a gente aprende ao longo da vida: 
Nossos pais não vão estar 24h do nosso lado a vida toda, nem vão poder impedir que ralemos o joelho ou sejamos traídos pela melhor amiga.
E é provável que tenhamos que lidar com esses e tantos outros percalços da vida sozinhos ou acompanhados de outras pessoas (babás, irmãos, amigos, namorados, etc).

E isso tudo me fez encarar que a minha filha já está começando a vida independente dela. 
Ela já passa algum tempo do dia sem mim e isso não tem volta. 
Por mais que eu queira, vão haver mordidas, beliscões, machucados que eu não vou poder impedir.
E tudo bem.


Ahm... tudo bem? 
A gente tenta, mas nem sempre consegue ser prática assim. :P


Hoje, lembrar que disse pra minha mãe várias vezes "Mãe, eu estou crescendo. Filhos são criados pra vida, acostume com isso." me parece um ato terrorista. 
Um tapa na cara de quem já estava tendo que aprender com o dia a dia que não podia me proteger de tudo, que ia ter que assistir minhas decisões erradas, meus erros, meus machucados sem ter o poder de impedir. 
(Por mais que a vontade de pôr o baby numa bolha seja gigantesca. =x)



Que o tempo tenha um pouco de compaixão e passe devagarinho pra eu conseguir acostumar com a idéia do meu bebê ser uma pessoinha que toma suas decisões, que tropeça, cai e lindamente aprende a levantar e seguir em frente.
O bom é poder me certificar diariamente que ela não esqueça nunca que eu estou sempre aqui pra ela.
Sempre.


28 setembro 2010

Amizade e Gratidão

Amizade (do latim amicus; amigo, que possivelmente se derivou de amore; amar, ainda que se diga também que a palavra provém do grego) é uma relação afetiva, a princípio sem características romântico-sexuais, entre duas pessoas. 
Em sentido amplo, é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo e a afeição, além de lealdade ao ponto do altruísmo. 
Neste aspecto, pode-se dizer que uma relação entre pais e filhos, entre irmãos, demais familiares, cônjuges ou namorados, pode ser também uma relação de amizade, embora não necessariamente.
Wikipedia
 
 ...

Gratidão
“Agradecer é dar; ser grato é dividir. 
Esse prazer que devo a você não é apenas para mim. 
Essa alegria é a nossa. 
Essa felicidade é a nossa. 
O egoísta pode regozijar-se em receber. 
Mas seu regozijo é seu bem, que ele guarda só para si. 
Ou, se o mostra, é mais para fazer invejosos do que felizes: ele exibe seu prazer, mas é o prazer dele. 
Já esqueceu que outros têm algo a ver com isso. 
Que importância têm os outros? 
Por isso o egoísta é ingrato: não porque não goste de receber, mas porque não gosta de reconhecer o que deve a outrem, e a gratidão é esse reconhecimento, porque não gosta de retribuir, e a gratidão, de fato, retribui com o agradecimento, porque não gosta de partilhar, porque não gosta de dar.” Comte-Sponville (2000, p.146)

 ...

Duas citações necessárias, concordam?

Mais um "muito obrigada" pra essa vida que me presenteia diariamente com a oportunidade de ter amigos e de ser grata por isso. ^^


Beijos! ^^

24 setembro 2010

Responsabilidade

Ser responsável é a obrigação de qualquer cidadão para uma vida saudável em sociedade.
É você responder seus atos de acordo com a sua idade.

Fonte: Wikipedia

.......
 

Estava pensando por esses dias que o conceito que temos sobre responsabilidade vem de muuito cedo, da base da educação.

E me dei conta que já chegou a hora de começar a trabalhar isso na minha pequena.
E é difícil, gentesss! Mega difícil!
Há quem diga "mas ela ainda é muito bebê"...
Mais ou menos, né?
19 meses, idade da birra, de querer se impor... dá um trabaaalho.. :P

Achei algumas fontes bacanas pra me ajudar a lidar com isso: mãe, avós, tias, amigas com filhos, psicologas, pedadogas, etc.. ;D

A Revista Crescer também merece créditos. É uma mão na roda. hehehehehe

Mas o objetivo desse blog está longe de tentar ser uma referência pra facilitar a vida de outras mães aflitas como eu.
Não tenho essa pretensão.

Tudo isso é, na verdade, um rodeio imenso pra voltar ao título do post e dar o "depoimento" do dia. ^^


Ainda nos devaneios de "como ensinar um ser humano a ser responsável em 10 lições", me veio à memória que a gente só ensina isso (e tudo mais) até certo ponto da vida da criança.
Ao longo do processo de desenvolvimento ele(a) começa a aprender observando a vida ou errando mesmo.
Não é lindo isso?!!!! :D
É, mas me mata de medo!
Como vai ser quando nós pais deixarmos de ser a grande referência dos pequeninos?!!!!
Quando eles entenderem que não somos super heróis e que eles podem escolher se concordam ou não com nossos pensamentos e atitudes?!!!
OMG! Quero nem pensar... deixa ela crescer mais um pouquinho... =~~~~)

......

Pensando nisso, lembrei do momento em que a vida se encarregou de mudar num estalar de dedos todo o conceito de responsabilidade em mim.

"Senta que lá vem a história..." :P



Um dia acordei com a nítida sensação de que ia menstruar... toda aquela enxeção de inchaço, dores nos seios, cólica irritante, mau humor nato... de repente me veio à cabeça: "Ai meu deus, tô grávida!! oO".

A partir dali TODOS os medos possíveis passaram pela minha cabeça "O que vai ser da minha carreira, dos meus planos, vou ter que alugar um ap maior, quanto será que custa sustentar uma criança em São Paulo, será que vou ter que mudar de cidade, de profissão, será que vou conseguir me formar?..."
 

Entrei no banheiro pra fazer o teste de farmácia...


Enquanto esperava o resultado os medos iam se transformando em ansiedade...  



"Se for moleque? Não sei o que fazer com um menino! Se for menina? Mais uma pra virar perua com a minha mãe e Iris... Mas vai ser nerd, de certeza!..." xD

Quando vi os dois tracinhos azuis, uma felicidade indescritível me invadiu, e eu saí dali sem conseguir conter o sorriso.
Chamei o Gu, contei o resultado.
Ele ficou em choque.
Eu fiquei em êxtase. 

 
Tinha um bebê em mim, caceta!!! =DDDD

Uma vida, uma pessoinha que dependia nos próximos meses só de mim, do meu amor, do meu corpo, da minha dedicação pra se desenvolver.

Não vou dizer aqui que vida de mãe é só poesia, porque não é.
Exige renuncias, mudanças de plano, adaptações, disponibilidade, paciência, controle e muita muita dedicação.

Mas apesar disso, em nenhum segundo desde que aqueles dois tracinhos apareceram pra mim, o meu bebê foi um fardo, um problema.

A sensação de medo, de inconsequência, sumiu no momento em que soube da gravidez.
Apesar de ter engravidado sem planejar, com 23 anos, sem um emprego com benefícios, etc...
Apesar de ser capricorniana e não admitir muito bem "mudanças no script", principalmente se ele tivesse sido escrito por mim.
 

A partir dali pensei: "Esse bebê tem a mim e isso é suficiente. Com todo o resto, eu me viro."


^^

Assumir um filho, acolhê-lo dentro de você, é doar seu corpo, sua mente e seu espírito pra que ele cresça feliz. 

É continuar fazendo isso depois que ele nascer, mesmo que um dia ele ache que não precisa mais de você. (meedo da adolescência =~~~~ xP)

A Maria Júlia me ensinou que responsabilidade é um ato de amor. 

Ou que o amor dá sentido às responsabilidades. 
Como você preferir. :)

E que em momento algum a minha filha seria um problema
, independente da situação ser a mais propícia ou mais inóspita.


^^


Ser mãe é ser mulher "with benefits" ;DDDD