Pego a mesa rosa com sua cadeirinha e uma revista de colorir.
Sento ao seu lado e vou apontando seus lápis-de-cor enquanto ela mostra sua destreza com "táços" quase retos e "bolas" quase redondas. Uma delícia.
"Deixa eu ver, filha!"
"Não, não pode!"
"Porquê, Julia?"
"Eu tô trabalhando! Não mexa nos meus trabalhos!"
Reconheci imediatamente o tom irritado que já usei quando tentava me concentrar em alguma coisa importante
A repreendi por falar naquele tom comigo, afinal não posso perder a autoridade.
Mas o que eu queria mesmo era abraçá-la e pedir desculpas por ter falado com ela daquele jeito.
Levei algumas horas pra me perdoar por ter perdido a paciência. Até porque já perdi a paciência mais de uma vez - afinal de contas, estamos no meio dos terrible two - e dei broncas nem sempre na proporção exata da travessura. Fico péssima depois, mas acontece mesmo.
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Guentaí a cara de "anjinho"! |
Repeti pra mim várias vezes que sou humana e que criança tira a gente do sério mesmo.
Acho que o segredo é demagogia de menos e educação de mais!
Apesar do coração apertado, adoro ter a oportunidade de errar e acertar, de ser mãe de verdade da minha princesa.
Tenho certeza de que um dia vamos rir juntas disso. ^^