21 maio 2014

#ConstruindoAMamãe 01 - Sobre o Peso e o Espelho

A história do documentário Embrace chamou minha atenção essa semana no blog da Ju Romano:

"E se você é gorda e acha que se amaria mais se fosse magra, eu te digo uma coisa: você não vai se amar mais se emagrecer! 
Esse assunto tem tudo a ver comigo, então resolvi contar também a minha história de ser gorda e ser magra.


Eu fui uma criança gordinha. Fiz dieta pela primeira vez antes dos 10 anos e não tenho boas lembranças disso. Sempre fui "boa de garfo", mas fazia esporte, brincava de correr na rua, rodava o bairro de bicicleta.

Eu era gordinha sim, mas ativa e saudável. Nunca obesa. Não precisava de dieta.



Iris, a cópia da Juju, eu e meus óculos... bem... deixa pra lá =~
Então meus pais deviam ser loucos, né? Anormais! Absurdo! De jeito nenhum!

Imagine que você acredita que para ser feliz é preciso se adequar, e que seu filho pequeno sofre com olhares e piadinhas. O que você, instintivamente, faria (ou faz)? Não responda de pronto. Reflita...

Eu sofria e meus pais queriam o melhor pra mim. 
No mundo em que vivemos, o melhor é ser perfeito.


Em tese. ;)

Cresci e emagreci. Fui uma adolescente bem bonita até (fácil dizer isso 10 anos depois. hahaha), mas como a Ju Romano disse sabiamente: Minha auto-estima nada tinha a ver com o peso.

A distorção de medidas que vivemos é tão insana que, somada à obrigação social de estar dentro de um padrão, me fez ser mais uma menina bonita que se achava feia. Nada do que eu fosse seria suficiente. Cresci acreditando e pior, validando ao longo da vida, que pra me sentir bonita eu precisava sempre perder 2, 3kg, precisava regular o que comia, tinha que me livrar das celulites... 


Essa era a Isis que precisava emagrecer:



Ficou chocado? Pois é, hoje eu também fico. 

Principalmente lembrando que eu contava as dobrinhas (????) quando via essa foto.

A gente aprende desde criança a distorcer nossa auto-imagem de forma cruel há séculos. É uma epidemia psico-social e só piora... 

O problema é que se existe um modelo estético idealizado, você nasce com a necessidade social de alcançá-lo. 

Perde a chance de entender que Peso e Beleza são coisas totalmente independentes.


Por isso, como mãe, assumo a responsabilidade de ajudar a minha pequena a se valorizar, a se perceber diferente! E a gente só ensina com o exemplo.
Por isso, quem precisava mudar, por mim e por ela, era eu!


A primeira coisa a entender é: Sentir-se bonito é importante! E é uma percepção pessoal e intransferível. 

Buscar um modelo externo é comer o bolo preferido da outra pessoa. Pode até ser bom, mas é o que vai te satisfazer?

A segunda é: Peso não mede beleza. Altura não mede beleza.
Confiança define beleza.
Tá duvidando? Repense!

E não venha me dizer que o padrão é ditado pela busca da saúde, ok? Se precisar, te lembro o que inventou a anorexia:


Veja só, essa não é uma história de superação, de emagrecimento. Tampouco uma bandeira "pró-gordinhos".

Essa é a história de uma mudança radical de ponto de vista. Uma mudança que salvou a minha vida, minha sanidade, meu amor próprio.


Lá pros meus 18, 19 anos, quando eu achava que devia emagrecer com 2kg a menos do que o peso ideal lá do IMC, eu era insatisfeita, mas não paranóica. Não deixava de viver.

Mas então, o pior aconteceu: Eu engordei de verdade.




E com o peso, as perguntas: “O que aconteceu? Foi a gravidez, uma depressão ou só se descuidou mesmo?” 

Uma pressão fudida enorme de todos os lados. Porque a verdade universal é só uma: Se você engordou, você precisa emagrecer. Ponto, acabou.

Eu mal tinha parido e já me cobravam uma dieta (!!!!!!) pra voltar a barriga pro lugar.

"Você tem um rosto tão bonito, tá aí se perdendo..."

"Mas você era tão linda nessas fotos, porque você não se cuida?"

Tudo isso vai totalmente de encontro ao que eu entendo por bem-estar.
Pra mim, bem-estar é equilíbrio, é liberdade, é ser feliz.

Afinal, eu amadureci e criei meus valores e minha percepção de beleza que nada tem a ver com balança ou fita métrica.

Mesmo assim, eu sucumbi.




Não importava mais que eu adorasse cuidar da minha pele, do meu cabelo, das minhas unhas roídas. Não importava o quanto eu gostasse de me vestir bem e de andar com uma maquiagem bem feita. Cheguei a deixar de fazer as unhas, pintar o cabelo e até tirar a sobrancelha por quase 4 meses. 


Ouvia (e ainda ouço) “não compre roupa agora, espere emagrecer” e assim vi meu guarda-roupas ir diminuindo a ponto de ter uma ou duas blusas no máximo que conseguia usar me sentindo bonitinha

Estou gorda, então nada disso resolveria.

Deixei de ser quem sou e fazer o que gosto porque sair pra jantar com meu namorado e pedir uma massa era “não me ajudar”. Deixei de dançar pra não parecer ridícula, deixei de aparecer nas fotos pra não parecer tão feia.

Deixei de tentar manter minha vida equilibrada para tentar emagrecer.

Não deu certo, óbvio. Inclusive, essa busca foi o que mais me fez engordar nos últimos anos. :P

E só agora, aos 29, com muita terapia, com muito apoio do meu namorado - que, pasmem, me acha bonita assim -, finalmente decidi me manter fiel a mim e não ao meu peso. 

Hoje me alegro por viver de acordo com o que acredito.

E me orgulho de ser uma mãe que busca agir de acordo com os valores de aceitação que quer ensinar à sua pequena. (Mais um tijolinho, uhul! o/)


Batendo a real mais uma vez: Não é fácil! 
A gente vacila e volta a se cobrar e se achar menor às vezes. Acontece.

Mas veja só, eu até já consigo, de leve, aparecer nas fotos... #)

11 comentários:

  1. Sábias palavras. Continue assim Ísis, sendo como vc é, valorizando o que vc acha realmente importante. Bjo

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    1. Obrigada Hélio! Seja sempre bem-vindo! Beijos!

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  2. Excelente análise Isis, como você diz, não tem que procurar culpados, tem que assumir sua condição estética e ser feliz com o se tem.

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  3. Meu padrão de beleza é do Renascimento e do Barroco! :P kkkkkkk

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  4. Excelente reflexão amiga. Se a gente não se aceitar, quem vai?
    E você está mais linda assim.. feliz!!

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