14 maio 2014

#EducAmando | Heranças da tia Inês, ou 'Mães que Alfabetizam Parte I'

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"F+a, Fa. D+a, Da. Fa...da. Fada!"


Gente, a Juju #aos5 está numa fase linda da alfabetização. É agora que as sílabas começam a se juntar fazendo sentido, que cada palavra completada com muito suor vira um sorriso surpreso, uma descoberta.

Mas é também agora que eles começam a ter trabalho de verdade pra acompanhar as lições, não é?

E que trabalho!!

Vivemos um momento tenso esses dias. A agonia que me levou a escrever esse post.

#Aos4 a escola ainda não trazia grandes demandas por aqui. Apesar dela acabar o ano já escrevendo o alfabeto cursivo e ensaiando algumas sílabas, não houve momentos realmente difíceis.

Mas já nos primeiros dias de aula desse ano vi uma enxurrada de conteúdo numa velocidade que me assustou um pouco. Foi como se tivéssemos passado de um passeio de domingo a uma prova de 100m rasos. Se eu senti o impacto, imaginem a pequena!

Houve bastante frustração e ela se distraía com facilidade. Doía o coração e até me deu certa impaciência, confesso. Por vezes achei que não daríamos conta e que a minha filha não ia gostar de estudar - vislumbrei momentaneamente boletins desastrosos por toda a adolescência, tem noção do drama na minha cabeça? Haha

Mas uma luz me acalmou. Respirei e deixei a ansiedade dar lugar à observação. Queria entender suas dificuldades e achar um jeito de ajudar.

Encarar uma dessa com serenidade é super difícil eu sei, mas opera milagres! A partir daí, avançamos.

Foram muitas descobertas, então vou contar por partes, ok? 


#Mães que Alfabetizam Parte I

A primeira dificuldade da pequena que percebi ainda nesse dia foi aterrorizante: 

Ela devia saber o alfabeto inteiro desde a série anterior e agora já o lia em letras bastão e cursivas, minúsculas e maiúsculas.

Todos os dias vinha junto às tarefas uma tabela com o alfabeto para estudar e a Ju não vacilava! Pegava sua ficha e começava "A, B, C, D...." lendo super rápidoLindo, certo?
Nem tanto.

Assim que deixei a angústia de lado, notei alarmada que a Ju nem olhava pra tabela do alfabeto. 
Desconfiei e peguei papel e lápis. Comecei a escrever letrinhas aleatórias e pedir que ela as lesse pra mim.
O "b" e o "d" ainda eram confundidos, emperrarmos no "q de queijo", no "s de sapo" e piorava... Ela conhecia as vogais minúsculas com facilidade, mas as maiúsculas ainda não.

Foi então que me dei conta: Ela não sabia Ler o alfabeto e a escola já cobrava que ela formasse sílabas!!!

Gente, que absurdo. Imagina o stress de uma criança de 5 anos tentando formar sílabas com letras que ela mal conhecia de fato e sendo cobrada diariamente por isso! Meu coração ainda aperta só de pensar.

Senti um misto de culpa por não ter percebido antes, de raiva do sistema de ensino, da professora que não percebeu - a coitada que alfabetiza 20 crianças sozinha -, de pânico por não saber bem o que fazer.

Vamos encarar a realidade: Ela está matriculada numa escola de ensino tradicional e vai ser constantemente cobrada e avaliada e não vai ter atenção individual como num mundo ideal. A Ju não estuda numa escola ruim, mas esperar que uma escola 'comum' dê a atenção que eles precisam individualmente, pra mim, é tapar o sol com a peneira.

Sobre o método de ensino e a participação dos pais

Tenho uma amiga querida que tem sua pequena matriculada numa escola da pedagogia Waldorf e, apesar de ser um método incrível, também tem trabalho pra compensar a escola em casa.
A Waldorf cuida muito bem do desenvolvimento emocional da criança, mas não alfabetiza até os 07 anos, o que distancia os pequenos que estudam nela no infantil dos demais que já chegam no ensino fundamental alfabetizados. Então ela decidiu fazer o caminho: emocional na escola, alfabetização em casa.

Apesar da Ju estudar numa escola de modelo pedagógico tradicional, tenho várias ressalvas quanto a esse arcaico sistema. Mas o fato é que o mundo em que vivemos não é ideal, a escola também não vai ser.

Então, não importa o método, nem o que precisa melhorar na escola, o importante é assumir o compromisso de compensar o que for necessário em casa. 

Pra mim, todo caminho que envolva atenção e amor é válido. O importante é estar perto deles. Oferecer educação e segurança sempre!

Por isso, quero levantar uma bandeira: 

Mães, Pais, Responsáveis, Cuidadores, PRESTEM ATENÇÃO NOS DETALHES! 

É A EDUCAÇÃO DOS NOSSOS PEQUENOS QUE ESTÁ EM JOGO!




A valiosa herança da tia Inês

Ainda procurando uma solução para o problema do alfabeto da Juju,  me veio o estalo: Os papeizinhos da tia Inês! 

Calma, eu explico! Mas senta que lá vem a história... Haha

Quem estudou no Salesiano aqui de Aracaju na década de 90 deve lembrar da mítica professora de inglês do "ginásio", a tia Inês.

Lembro do som de suas rasteirinhas arrastando pelos corredores, dos óculos antigos, dos saiões e da expressão severa e quase debochada do nosso medo. 
Mas lembro principalmente de uma coisa: Foi com ela que aprendi inglês! 
Não foi em cursinho, não foi professor particular, nada disso. Eu aprendi inglês na escola!

Tia Inês era (ou ainda é, não sei... mas pelo que lembro ela estava quase se aposentando na minha época) uma daquelas professoras que todo mundo teme e quase sempre baixa a média geral da turma - o que deixaria alguns pais loucos hoje em dia, fazendo verdadeiros escândalos nas escolas. Mas isso é outro assunto... - mas uma coisa é fato: Todos saíam de sua série com os verbos (e suas flexões) devidamente decorados (pro resto da vida, acredite!!) e com um vocabulário inacreditável pra uma 'simples' aula de inglês na escola.

O segredo? Suas arguições! Simmmm gente, arguições!!! Mas não era qualquer uma. Eram as "arguições da tia Inês".

O esquema era o seguinte: Toda semana tínhamos uma lista de verbos - irregulares, lógico, porque pôr "ed" no final dos verbos regulares não teria graça - pra estudar. Uns 20 se não me engano. Mas não se engane: Era cumulativa a história!
Ou seja, no fim do semestre você tinha aprendido uns 150 verbos com tradução e flexões.

Bem, chegando a fatídica aula da arguição, lá estava ela, com um sorrisinho de canto, pronta pra chamar um por um. Então você tinha que sortear cinco papéis dobradinhos de dentro de um saquinho. Cada um tinha um verbo. Se ele estivesse em inglês, ufa! Era só dizer sua tradução: 

"To do" -> "Fazer"

Mas se estivesse em português, ah aí é que rolava o desafio: Era preciso traduzir e flexionar o verbo. 

"Ir" -> "To Go, Went, Gone"

Simples, né?

Agora imagina que você tem 12 anos e que a listinha é essa aqui:


Se bem me lembro, eram umas 3 folhas dessas, frente e verso. Hahaha

Eu achava tudo isso um absurdo! Impossível!!! Até perceber que filmes e músicas que eu amava pareciam mais familiares pra mim e que, na verdade, exigia esforço, mas dava pra fazer.

Voltando então à Maria Julia...

Vendo que ela "lia" o alfabeto bem rapidinho, mas se eu pedisse que ela fosse mais devagar complicava, concluí: Ela decorou a ordem, mas não associa a letra escrita ao som, ao fonema.

Então entraram em ação os nossos papeizinhos! Uma adaptação divertida de um método que eu sei - to know, knew, known - que funciona. Hahaha

Picotei uma folha, escrevi as vogais de rosa, as consoantes de azul e as sílabas já estudadas em verde. Dobrei os papeizinhos, pus num saquinho e começou a diversão!

~ Papeizinhos da Juju ~

Em pouco tempo a Ju estava dando gargalhadas de feliz a cada letra que acertava, assim como apertava os olhinhos se concentrando pra não confundir "p" com "q". 



Que vitória!!! Que delícia ver a minha pequenina segura de si de novo, feliz por entender que ela é capaz!

Tia Inês, muito obrigada!!!

Pelo inglês, por aprender o valor do esforço na escola e principalmente por me salvar agora que sou mãe!

Vencemos essa! Mas ainda tem muita estrada pela frente, estamos só começando.

Escolhi a hashtag #EducAmando pra marcar os posts que trarão mais das nossas experiências escolares. Que venham os próximos! 

Ah, não esquece que o mais legal do blog é a oportunidade de chamar a atenção pra assuntos relevantes e trocar ideias, então comenta aqui, vamos ampliar essa discussão!! ;)

Beijocas!

2 comentários:

  1. Muito bacana o post.
    As dificuldades aqui em casa são as mesmas.
    E ainda piora o fato dela enfrentar um período integral ...
    Parabéns pela iniciativa!

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    Respostas
    1. Oi Tiago, brigada!! O integral - a escola e o nosso trabalho - dificulta mesmo, mas mesmo que seja uma boa olhada no que ela tem aprendido 1 ou 2x por semana já pode ajudar muito! Acredito que a qualidade é muito mais importante do que a quantidade de tempo que a gente dedica a eles e a qualquer coisa! :D

      Beijoss! Aperta a Mel sapeca por mim!! :***

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